Nem tudo que diferencia um trabalho aparece no escopo

Tenho pensado muito sobre o que diferencia o trabalho de uma pessoa, de uma empresa. O que faz com que ela tenha sucesso, e aqui vamos entender sucesso como aquilo que é importante para ela, não necessariamente relacionado à quantidade de dinheiro que ganha ou à projeção da sua carreira.

Comecei a pensar nisso depois de receber feedbacks similares sobre o meu trabalho. As pessoas ficavam impressionadas, agradecidas pelo trabalho que eu estava fazendo. Não que eu não merecesse aqueles elogios, mas eu pensava: “Eu não estou fazendo nada demais…”. Na minha cabeça, o que eu estava entregando era o básico necessário para aquele trabalho ser bem entregue.

Isso me levou a pensar em algo que tenho percebido com frequência: muitas entregas estão sendo feitas no limite do possível, mas nem sempre com o cuidado necessário.

E acredito que aqui exista, sim, um ponto válido. As pessoas precisam produzir muito em pouco tempo. Então, como garantir que tudo tenha sido pensado e feito com um planejamento adequado? Não sei o que vocês têm visto por aí, mas planejamento cuidadoso é o que menos percebo atualmente, especialmente quando falamos de eventos.

E aí entramos em outro ponto dentro dessa questão do planejamento adequado: a experiência das pessoas envolvidas naquele trabalho ou evento. E aqui eu me refiro a todas as pessoas, ok? Desde quem vai desenvolver esse trabalho, quem vai entregar, quem vai receber o serviço prestado e até quem está ali, naquele ambiente, por alguma outra razão.

Nesse mundo de performance e resultado, esquecemos de olhar para o mais importante: as pessoas.

Qual o propósito de qualquer coisa que fazemos se não for proporcionar algo positivo para alguém? Alguém compraria algo para lhe fazer mal? Acho que não.

Em tudo que leio sobre negócios, performance e sucesso, vejo muito pouco sobre a forma como uma pessoa chega para desenvolver seja lá o que for desenvolver.

Mesmo para quem é mais cético, existe algo difícil de negar: a forma como uma pessoa chega para trabalhar altera o ambiente, a qualidade das decisões, o cuidado com os detalhes e a experiência de quem está ao redor.

Então, qual é a energia que você está colocando no que faz?

E aqui talvez eu tenha encontrado a resposta para a surpresa das pessoas em relação ao meu trabalho: eu coloco realmente muito amor no que faço.

E, para mim, amor no trabalho não é uma ideia romântica. É atenção. É responsabilidade. É cuidado com o detalhe. É não tratar pessoas como etapa de processo.

Eu gosto de fazer o que estou fazendo e faço porque quero que a pessoa se sinta bem, que tenha a melhor experiência possível no contato comigo, seja ela um parceiro de trabalho, um fornecedor, um cliente ou alguém que simplesmente está ali, naquele ambiente, por qualquer outra razão.

E aí, meu amigo, isso a gente não consegue em uma educação formal em uma instituição renomada. Isso é algo que se cultiva diariamente e que nenhuma IA, atualmente, vai poder te dar.

Não me entenda mal. Não sou contra tecnologia, IA ou qualquer avanço nesse sentido. Pelo contrário: entendo o valor que elas têm e o quanto podem nos ajudar a acelerar o trabalho e nos deixar com mais tempo livre para cuidar do que realmente importa: como as pessoas se sentem.

Isso a IA vai ter dificuldade de entregar.

Então a pergunta aqui é: com que presença você está indo fazer o seu trabalho, entregar o seu serviço? Você entende o impacto que a sua forma de trabalhar tem no resultado? Entende que aquilo que você faz não afeta apenas uma entrega, mas também a experiência de quem está junto, de quem recebe e de quem confia em você?

Talvez seja por aí que eu queira começar esta série: olhando para aquilo que sustenta uma boa entrega, mas que quase nunca aparece no escopo, no contrato ou na planilha.

Na foto, registro do encerramento de um retiro conduzido pelo físico Marcelo Gleiser, que organizei na serra gaúcha para um grupo de empresários. Um brinde àquilo que nem sempre aparece no escopo, mas sustenta a experiência.

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